quinta-feira, 24 de abril de 2008

VAN GOGH



(leia mais sobre o Pós-Impressionismo clicando aqui)
Quem nunca ouviu falar do pintor holandês que decepou a própria orelha?

Van Gogh, como todos que estão a frente de seu tempo, foi um artista incompreendido.


Era pouco conhecido na arte mundial na época de sua morte, mas em seguida sua fama cresceu rapidamente. Sua influência no Expressionismo e Fauvismo foi de grande valia, e pode ser visto em tantos outros aspectos na arte do século XX.


Van Gogh era um rebelde, inclinado à solidão e insociável. Filho de pastor, nasceu em Groot-Zundert, na Holanda em 1853 e trabalhou como artista somente nos últimos dez anos de vida. Ou seja, dos 27 ao 37 anos.


Na pintura, explicava sua tentativa de lutar contra a loucura da compreensão que tinha da essência espiritual do homem e da natureza.


Fotografia de Vincent van Gogh, 1876 (fotógrafo anônimo)



Desajustado no seu lar, em sua terra e em sua sociedade, foi frustrado em relação a constituição de família e amores. Teve dois romances que não deram certo e trabalhou como vendedor em uma livraria, auxiliar em uma galeria de arte e como pastor de igreja.


Van Gogh ficou nesta casa em Cuesmes, perto de Bruxelas, em 1880. Foi na época que ele morou lá que decidiu tornar-se um artista.



Inicialmente foi influenciado pelo pintor Rubens do Barroco e por gravuras japonesas, resultando em pinturas pesadas e sombrias.

Depois das várias tentativas de empregar-se que não deram certo, decidiu que sua missão seria trazer consolação a humanidade através da arte e, mesmo que sofria de extrema pobreza e miséria, os dez anos antes de sua morte foram prodígios: cerca de 900 pinturas e desenhos.



Os comedores de batatas, 1885. Óleo sobre tela. 82 x 114 cm. Museu Van Gogh, Amsterdã.


Em 1886 foi a Paris para juntar-se a seu irmão Theodore, afetuosamente chamado de Theo, gerente da Goupil galeria. Foi seu amparo emocional, afetivo e econômico, pois van Gogh sobrevivia de favores e mesadas pagas por Theo. Lá, estudou com os impressionistas; entre eles Pissarro, Toulouse-Lautrec, Degas, Monet e Gauguin, e começou a iluminar sua paleta escura e a pintar com pinceladas bruscas e pequenas, como os impressionistas da época.



Desenho com giz pastel feito por Toulouse Lautrec em 1887, retratando Van Gogh




Van Gogh, Par de sapatos. 34 x 41cm. 1887.




Van Gogh tornou-se obsessivo por valores expressivos e simbólicos da cor e começou a usá-las como reprodução de aparições visuais, atmosferas e luz. Quanto a isso, dizia: “Ao invés de tentar reproduzir exatamente o que eu tenho sob meus olhos, eu uso a cor mais para expressar-me do que de forma forçada”.



Natureza morta com Absinto. Óleo sobre tela. 46 x 33cm, 1887. Van Gogh – como a maioria dos impressionistas – tomava Absinto, bebida com alto teor alcólico. Alguns historiadores chegaram a associar seus problemas de saúde pela alta quantidade da bebida consumida pelo pintor.



Afirmava que não queria pintar quadros, e sim pintar a vida, pois seus temas são a sua terra (paisagens, trigais, campo, naturezas-mortas) e os homens simples (camponeses, mineiros). Era contra o academicismo técnico, pois não desejava fazer uma pintura clássica, pintar "gente que não trabalha".



Planalto de La Crau, com Montmajour ao fundo. 73 x 92 cm, 1888.


Tinha um temperamento explosivo e nervoso, o que o tornou ser uma companhia difícil de aturar. Mudou-se para Arles (França) onde achava que faria novos amigos, ou que seus amigos iriam junto, ajudando-o a fundar uma escola de arte.


Gauguin foi o único que levou a idéia a sério, o que fez com que ficasse hospedado na casa de van Gogh, onde pintavam, bebiam, discutiam idéias e iam a bordéis juntos. Van Gogh admirava Gauguin e chegou a enfeitar o quartinho que Gauguin ficaria em sua casa, com quadros de girassóis amarelos.


Sobre a orelha cortada, alguns pesquisadores dizem que ele sofria de uma doença compulsiva que o fazia sentir muita dor, e que, com o corte da orelha ele poderia “aliviar” essa dor. Várias interpretações foram dadas por biógrafos e historiadores.


O cineasta japonês, Akira Kurosawa, no filme Sonhos (1990) – filme sobre a vida de Van Gogh – o artista aparece tentando pintar a própria orelha, mas o resultado é insatisfatório. Para resolver o problema, o van Gogh do filme a decepa para vê-la em todos os ângulos – uma teoria poética para a orelha cortada. Veja cenas do filme:




A versão mais aceita atualmente é a de que, como sofria de lapsos de epilepsia, crises de humor e mania de perseguição, ele haveria discutido e agredido o amigo Gauguin, tentando feri-lo com uma navalha. Tendo perdido a ‘luta’, é levado para a cama em lágrimas e com descontrole muscular. Arrependido, corta de propósito um pedaço da orelha e manda num envelope/jornal à mulher que motivou a briga, uma prostituta. Disse ainda à prostituta que se chamava Rachel que "guardasse esse objeto com cuidado."


Auto retrato com orelha enfaixada. 60 x 49 cm. 1889



Vendeu apenas um quadro em vida, e ainda dizia: "Não posso evitar o fato de que meus quadros não sejam vendáveis. Mas virá o tempo em que as pessoas verão que eles valem mais que o preço da tinta" – e ele estava certo.

Na época que pintou "Girassóis" (1888), o mundo interior de Van Gogh é demonstrado na superfície do quadro, que parece agitada e fugindo de seu próprio controle, refletindo o estado de espírito do artista, aproximando-se do fim trágico da sua vida.



Girassóis, 1888. 93 x 73 cm. National Gallery, Londres. Mostra cores vibrantes com tons de amarelo e marrom, que por um lado mostra um mundo belo e cheio de esperança.



Por um tempo foi influenciado pelo pontilhado delicado de Seurat, mas abandonou essa técnica, passando a pintar com rápidas e pequenas pinceladas vigorosas e curvilíneas, o que fez com seus quadros também refletissem seu estado psicológico.





Café Terrace no Place du Forum, Arles a noite, 1888.



Em 1889, sua doença ficou mais grave e teve que ser internado numa clínica psiquiátrica, entre lapsos de loucura e alucinações. Nesta clínica, dentro de um mosteiro, havia um belo jardim que passou a ser sua fonte de inspiração. As pinceladas rápidas foram deixadas de lado e as curvas em espiral começaram a aparecer em suas telas.



Noite estrelada, 1889. Óleo sobre tela, 73 x 92 cm.

Essa é uma das telas mais famosas de Van Gogh, pois denota seu estilo de forma mais pura e interessante, o que faz com que nosso olhar siga um movimento pela tela, ocasionado pelas pinceladas curvas.




Em maio de 1890, ele parecia estar bem melhor, e foi morar em Auvers-sur-Oise, sob observação do Dr. Gachet. A primeira impressão que van Gogh teve sobre o dr. Gachet foi que ele era “mais doente do que eu, eu acho, ou digamos tanto quanto”. Depois disso Van Gogh fez três retratos de Gachet em óleo, dando ênfase na disposição melancólica do médico.




Retrato do Dr. Gachet, 1890. Óleo sobre tela. 67 x 56 cm.

Essa tela foi vendida por 82.5 milhões de dólares.



Os quadros do auge artístico de Van Gogh foram produzidos em menos de três anos com uma técnica que crescia mais e mais misturada nas pinceladas pequenas e movimentadas, que seguem uma direção no quadro, em cores intensas e simbólicas, em uma tensão da superfície, e uma vibração da forma e linha.

A fusão inimitável de Van Gogh de forma e conteúdo é poderosa e dramática, rítmica e imaginativa, além emocional.




Jardim de Daubigny, 1890. Óleo sobre tela. 50 x 101 cm.

Alguns historiadores afirmam que esta teria sido a última de Van Gogh antes de morrer em 1890, ao invés de “Campo de trigo com Corvos” (logo abaixo).



Alguns dias depois de pintar Campo de Trigo com Corvos, van Gogh sentiu-se extremamente deprimido e retornou à tarde ao campo de trigo, atirando em si mesmo no peito “para o bem de todos”, segundo ele.




Campo de trigo com corvos, 1890. 50 x 103 cm.



Alguns historiadores relatam ser sua última tela e retrata justamente os corvos sobrevoando belíssimos trigais; o céu escuro e baixo, e os corvos ameaçadores incorporam seus graves problemas. Descreveu-o como “vastas extensões de trigo sob céu tormentoso... não precisei me esforçar para expressar tristeza e o extremo da solidão”. Horas antes de morrer teria dito ao irmão Théo: "A miséria triunfou mais uma vez. A fome...!" Ele é socorrido, mas não resiste, sendo sepultado em 30 de julho de 1890.


Cornelius, irmão de van Gogh, também se suicidou e sua irmã Wilhelmina morreu louca, internada em um hospício, reforçando a idéia de que havia um componente familiar genético na doença de van Gogh - a psicose maníaco-depressiva, hoje chamada de distúrbio bipolar do humor.



Sua vida tumultuada e dramática e sua devoção pelos seus ideais fez dele um dos grandes heróis culturais dos tempos modernos. Vincent van Gogh contribuiu para a pintura moderna com a vitória da cor sobre o desenho, libertando-a da forma.



Auto-retrato, 1889. Oleo sobre tela. 65 x 54 cm.



Atualmente há variações das definições de críticos e historiadores de arte sobre qual movimento Van Gogh faz parte: se dos impressionistas, pós-impressionistas ou expressionistas. Porém enquanto viveu não foi reconhecido pelo público nem pelos críticos, que não souberam ver em sua obra os primeiros passos em direção à arte moderna, nem compreender o esforço para libertar a beleza dos seres por meio de uma explosão de cores.


Sua mente tem estado ocupada a muito tempo com problemas insolúveis da sociedade moderna, e ele ainda está lutando contra isso com seu bom coração e bondade. Seus esforços não foram em vão, mas provavelmente não viverá para vê-los frutificar e quando as pessoas entenderem o que ele disse em suas pinturas, será muito tarde. Ele é um dos pintores mais avançados no tempo e é difícil entendê-lo, mesmo para mim, que o conheço intimamente. Suas idéias são muito amplas, examinando o que é humano e como alguém deveria olhar para o mundo, este deve primeiro liberar-se de todo o passado ligado ao convencional para entender o que ele está tentando dizer, mas eu estou certo que ele vai ser entendido no futuro. Só é difícil dizer quando.

Theo van Gogh para Jo
Paris
9-10 Fevereiro de 1889

Como a arte é rica; se alguém pode se lembrar de algo que viu, este nunca estará sem alimento para a mente ou verdadeiramente solitário, nunca sozinho.

Vincent van Gogh a Theo
Laeken
15 de Novembro de 1878

http://www.vangogh.com/index.html




Referências bibliográficas:


STRICKLAND, Carol. Arte comentada: da pré-história ao pós-moderno. Trad. Angela Lobo de Andrade. Rio de Janeiro: Ediouro, 2003.


Biografia do artista. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Vincent_van_Gogh


Biografia do artista. Disponível em: http://www.rainhadapaz.g12.br/projetos/artes/vangogh/Van_biografia.htm


Biografia do artista. Disponível em: http://www.sergiosakall.com.br/artistas/personalidade_vangogh.html


Biografia do artista. Disponível em: http://www.vangoghgallery.com/misc/overview.html


Cartas a Theo. Disponível em: http://www.rainhadapaz.g12.br/projetos/artes/vangogh/Van_cartas.htm


História da Arte e Van Gogh. Disponível em: http://www.historiadaarte.com.br/expressionismo.html


Sobre o artista. Disponível em: http://www.vangogh.com


Sobre Van Gogh. Disponível em: http://www.ibiblio.org/wm/paint/auth/gogh/


Sobre Van Gogh. Disponível em: http://www.britannica.com/eb/article-9037197/Vincent-van-Gogh


Van Gogh. Disponível em: http://www.suapesquisa.com/vangogh3/

5 comentários:

Diego Contezini disse...

Parabens Ju!
Ótimo Post (curto van gogh mas não lembrava da história do ser...), e ótimo Blog :).
Queria eu ter o impeto de escrever 1/10 do que vc anda escrevendo... quantitativamente e qualitativamente! HEHEHE.

Beijos!

Anônimo disse...

Parabéns!!! Conteúdo ótimo!

Beijos! Mary Rios

kawany disse...

Se vc nao persebeu quero todas figuras!!!!!!!!!!!!!!!!

Borboleta Azul disse...

Simplesmente maravilhoso tudo que você faz, deixando transparecer a sublimidade de sua alma. Seu blog é um manancial de refrigério, no qual navego todos os dias, deliciando-me em tanta cultura e genilaidade de múltiplos artitas.

Alberto & Débora

Anônimo disse...

Adorei o texto.

Parabéns!!!!!

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