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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

ARTE INDÍGENA


 O que é índio? Um índio não chama nem a si mesmo de índio. Esse nome veio trazido pelos colonizadores no séc. XVI. O índio mais antigo desta terra hoje chamada Brasil se autodenomina Tupy, que significa "Tu" (som) e "py" (pé), ou seja, o som-de-pé, de modo que o índio é uma qualidade de espírito posta em uma harmonia de forma.

Meu desenho de índio! No A3, feito com lápis de cor.
Esta história logo abaixo revela o jeito do povo indígena de contar a sua origem, a origem do mundo, do cosmos, e também mostra como funciona o pensamento nativo. Os antropólogos chamam de mito, e algumas dessas histórias são denominadas de lendas.

Qual a origem dos índios? Conforme o mito Tupy-Guarani, o Criador, cujo coração é o Sol, /tataravô desse Sol que vemos, soprou seu cachimbo sagrado e da fumaça desse cachimbo se fez a Mãe Terra. Chamou sete anciães e disse: ‘Gostaria que criassem ali uma humanidade’. Os anciães navegaram em uma canoa que era como cobra de fogo pelo céu; e a cobra-canoa levou-os até a Terra. Logo eles criaram o primeiro ser humano e disseram: ‘Você é o guardião da roça’. Estava criado o homem. O primeiro homem desceu do céu através do arco-íris em que os anciães se transformaram. Seu nome era Nanderuvuçu, o nosso Pai Antepassado, o que viria a ser o Sol. E logo os anciães fizeram surgir da Águas do Grande Rio Nanderykei-cy, a nossa Mãe Antepassada. Depois eles geraram a humanidade, um se transformou no Sol, e a outra, na Lua. São nossos tataravós.

 

ARQUITETURA INDÍGENA

Taba ou Aldeia é a reunião de 4 a 10 ocas, em cada oca vivem várias famílias (ascendentes e descendentes), geralmente entre 300 a 400 pessoas. O lugar ideal para erguer a taba deve ser bem ventilado, dominando visualmente a vizinhança, próxima de rios e da mata. A terra, própria para o cultivo da mandioca e do milho.


No centro da aldeia fica a ocara, a praça. Ali se reúnem os conselheiros, as mulheres preparam as bebidas rituais, têm lugar as grandes festas. Dessa praça partem trilhas chamadas pucu que levam a roça, ao campo e ao bosque. 



Destinada a durar no máximo 5 anos a oca é erguida com varas, fechada e coberta com palhas ou folhas. Não recebe reparos e quando inabitável os ocupantes a abandonam. Não possuem janelas, têm uma abertura em cada extremidade e em seu interior não tem nenhuma parede ou divisão aparente. Vivem de modo harmonioso.


PINTURA CORPORAL E ARTE PLUMÁRIA (COCARES)


Pintam o corpo para enfeitá-lo e também para defendê-lo contra o sol, os insetos e os espíritos maus.


E para revelar de quem se trata, como está se sentindo e o que pretende. As cores e os desenhos ‘falam’, dão recados.

Índia Kadiweu

Boa tinta, boa pintura, bom desenho garantem boa sorte na caça, na guerra, na pesca, na viagem. Cada tribo e cada família desenvolvem padrões de pintura fiéis ao seu modo de ser.

Padrões de pintura corporal indígena

Nos dias comuns a pintura pode ser bastante simples, porém nas festas, nos combates, mostra-se requintada, cobrindo também a testa, as faces e o nariz. A pintura corporal é função feminina, a mulher pinta os corpos dos filhos e do marido.


Assim como a pintura corporal a arte plumária serve para enfeites: mantos, máscaras, cocares, e passam aos seus portadores elegância e majestade.

Kaxinawá do Acre
Esta é uma arte muito especial porque não está associada a nenhum fim utilitário, mas apenas a pura busca da beleza.

 
A disposição e as cores das penas do cocar não são aleatórias. Além de bonito, ele indica a posição de chefe dentro do grupo e simboliza a própria ordenação da vida em uma aldeia Kayapó. Em forma de arco, uma grande roda a girar entre o presente e o passado. "É uma lógica de manutenção e não de progresso", explica Luis Donisete Grupioni. A aldeia também é disposta assim. Lá, cada um tem seu lugar e sua função determinados.


Plumas de arara e mutum, costuras com fibra de palmito e fios de algodão

Tapirapé do Mato Grosso (desapareceram)

TRANÇADOS E CERÂMICA



A variedade de plantas que são apropriadas ao trançado no Brasil dá ao índio uma inesgotável fonte de matéria prima.



É trançando que o índio constrói a sua casa e uma grande variedade de utensílios, como cestos para uso doméstico, para transporte de alimentos e objetos trançados para ajudar no preparo de alimentos (peneiras), armadilhas para caça e pesca, abanos para aliviar o calor e avivar o fogo, objetos de adorno pessoal (cocares, tangas, pulseiras), redes para pescar e dormir, instrumentos musicais para uso em rituais religiosos, etc.


                                           Cestos Yanomamis

Tudo isso sem perder a beleza e feito com muita perfeição.



A cerâmica destacou-se principalmente pela sua utilidade, buscando a sua forma, nas cores e na decoração exterior. O seu ponto alto ocorreu na ilha de Marajó.
Cerâmica Kadiweu

Cerâmica Macuxi


COMO OS ÍNDIOS QUASE DESAPARECERAM

O processo de colonização levou à extinção de muitas sociedades indígenas que viviam no território dominado, seja pela ação das armas seja pelo contágio de doenças trazidas dos países europeus para as quais os índios não tinham anticorpos ou ainda, pela aplicação de políticas visando a "assimilação" dos índios à nova sociedade implantada, com forte influencia européia.

Embora não se saiba exatamente quantas sociedades indígenas existissem no Brasil na época da chegada dos europeus, há estimativas sobre o número de habitantes nativos naquele tempo que variam de 1 a 10 milhões de indivíduos.

 
Estes números nos dão uma idéia da imensa quantidade de pessoas e sociedades indígenas inteiras exterminadas ao longo destes mais de 500 anos, como resultado de um processo de colonização baseado no uso da força, por meio das guerras e da política de assimilação.

Da mesma que os brancos procuraram a explicação para a origem dos índios estes também elaboraram explicação para a origem do homem branco. O processo do colonizador do qual os índios brasileiros foram vítimas ocorreu assim: primeiro foram cativados para o trabalho de exploração do pau Brasil em troca de objetos que exerciam fascínio sobre eles; depois veio a escravização e a tentativa de fazê-los trabalhar na lavoura da cana de açúcar; suas terras foram sendo tomadas e os que não se submeteram ao colonizador e não conseguiram fugir Brasil adentro, morreram após lutar corajosamente pela sua terra e pela liberdade.



Os índios que conseguiram sobreviver eram descaracterizados pela catequese feita pelos jesuítas e da própria convivência com o homem branco. Com isso muitos foram perdendo sua identidade cultural substituindo suas crenças e costumes pelos valores dos colonizadores. Transformaram-se assim em seres marginalizados e explorados dentro da sociedade branca.

Textos coletados nos sites:



MARTINS, Simone R.; IMBROISI, Margaret H. A visão indígena brasileira. Disponível em: http://www.historiadaarte.com.br/arteindigena.html&gt. Acesso em 10 abril 2009.
Ritual indígena

domingo, 10 de outubro de 2010

ARTE TAPAJÓ

SOBRE OS ÍNDIOS TAPAJÓS

Havia um contato intenso entre tapajós e as tribos vizinhas, ou pelo comércio ou dominação direta, o que denota o estilo tapajó em vasos encontradas longe da região.


Vaso antropomórfico Tapajó

Ficavam no rio Tapajós, a beira da cidade de Santarém, no Pará. Mesmo depois dos primeiros contatos com os europeus, os tapajós ainda eram uma das maiores nações indígenas da Amazônia.


A cerâmica Tapajônica é feita com argila e cauxixi, uma esponja de rio. A mistura fica dura e leve como porcelana. Utilizavam a cerâmica em festas e rituais religiosos.


Cavidade servia para colocar penas coloridas nos rituais



 RITUAL DE MORTE


Sabe-se que os tapajós misturavam as cinzas de seus mortos a bebidas fermentadas feitas de milho ou arroz-bravo, uma planta nativa da Amazônia. Neste caso, alguns dos vasos seriam usados para, literalmente, beber os entes queridos. Outros seriam de uso exclusivo dos sacerdotes, para a ingestão de bebidas alucinógenas, como a ayahuasca.


Esse vaso era usado para uso ritualístico - seria um jacaré que tem na boca uma figura zoo-antropomorfa.  Na boca, há uma criança engatinhando. 



O povo tinha outra cultura, pois não enterrava seus mortos. Existia uma cabana mortuária, onde deixavam o corpo em uma rede com os pertences a seus pés, até se deteriorarem por completo. Os ossos que restavam eram lavados, moídos e colocados em vinho, que era bebido pelos familiares do morto e pelo resto da tribo, por ocasião da festa ritualística.


SOBRE A CERÂMICA TAPAJÔNICA

Talvez a cerâmica mais antiga da Amazônia.


Jacarés e a onça-pintada eram frequentes na cerâmica, além também da fauna da região.

Jacaré


Onça

Os famosos muiraquitãs, pedra verde esculpida em forma de sapo, eram usados pelas mulheres tapajós como amuleto para prevenir doenças e evitar a infertilidade.


A crença se espalhou pelo Baixo Amazonas e chegou ao Caribe, onde foram achados muiraquitãs amazônicos. A moda pegou até na Europa. No século XVIII, muiraquitãs eram levados para o Velho Continente. Acreditava-se que evitavam epilepsia e cálculos renais. Hoje são peças raras, que alcançam altos preços nos leilões.


Réplicas podem ser compradas em formato de jóias no Pólo joalheiro, no espaço São José Liberto, em Belém.


Fontes:

domingo, 16 de maio de 2010

ARTE RUPESTRE EM SC



Arte rupestre é o nome que se dá às figuras feitas sobre as pedras ou paredes rochosas pelos habitantes da pré-história. De acordo com a técnica empregada, são duas as modalidades de arte rupestre: as gravuras rupestres (petroglifos) e as pinturas rupestres (pictoglifos).


Petroglifo da Praia do Santinho

As inscrições da Ilha de Santa Catarina, feitas exclusivamente na forma de petroglifos, tem características bastante particulares: são motivos abstratos geométricos, representações antropomórficas e, mais raramente, representações zoomórficas.
Praia do Santinho

 Para elaborar os desenhos, eram empregadas ferramentas de pedra, onde, por meio de percussão (picoteamento) ou abrasão (polimento), os autores davam forma às linhas. Porém, quem fez estes desenhos na Ilha de Santa Catarina ainda é um mistério. O que torna difícil a identificação dos autores é o fato de três culturas diferentes terem habitado a mesma região: os caçadores e coletores, os itararé e os carijó.


Praia da Barra da Lagoa

 Gravados na superfície dos paredões de diabásio, nos costões das praias, os desenhos alcançam no máximo três milímetros de profundidade por trinta milímetros de largura. Estes petroglifos estão dispostos em sítios voltados para o Oceâno Atlântico, em praias de mar bravo, locais que passam uma sensação de medo e respeito. Teria a arte rupestre da Ilha de Santa Catarina uma conotação mística ou religiosa?

Ilha do Campeche


O autor deste texto acredita ter estes uma relação com a pesca. Talvez um santuário onde os índios recorressem a uma espécie de divindade, representada nas inscrições, para pedir um bom período de pesca. Poderia ainda ser simples demarcação de territórios pesqueiros.


Texto retirado do site: http://www.caminhosancestrais.com.br/rupestre.htm

sábado, 15 de maio de 2010

ARTE PRÉ-HISTÓRICA BRASILEIRA



Do francês rupestre, o termo designa gravação, traçado e pintura sobre suporte rochoso, qualquer que seja a técnica empregada, pelos habitantes da pré-história. Considerada a expressão artística mais antiga da humanidade, a arte rupestre é realizada em cavernas, grutas ou ao ar livre.

 

O termo "registro rupestre" é a definição que tenta substituir entre os arqueólogos a consagrada expressão "arte rupestre", que é a primeira manifestação artística do homem.

O pintor que retratou nas rochas os fatos mais relevantes da sua existência, tinha um conceito estético do seu mundo e da sua circunstância. A intenção prática da sua pintura podia ser diversificada, variando desde a magia ao desejo de historiar a vida do seu grupo, porém, de qualquer forma, o pintor certamente desejava que o desenho fosse "belo" segundo seus próprios padrões estéticos.

 


As primeiras manifestações estéticas estão representadas por pequenos objetos de osso e pedra ou estampadas nas paredes rochosas com tintas vegetais ou minerais nos cinco continentes. O surgimento da arte pré-histórica como um florescer simultâneo em várias partes do mundo tem a ver com os processos da evolução e o aumento da capacidade craniana, ou seja, o aumento do volume do cérebro que permitiria o desenvolvimento dos processos de abstração no gênero homo.

Considerando-se que o homem tem mais de dois milhões de anos e que a arte pré-histórica começou há 30.000, podemos aceitar que a arte rupestre seja "uma arte moderna".

 
Pintura rupestre do Piauí

A magia propiciatória da caça, o culto à fertilidade e a iniciação sexual têm sido os temas favoritos no registro figurativo. No Brasil as pinturas são feitas nas rochas, usando-se do ocre para executá-las (gordura vegetal e animal) na maioria das vezes. E ficaram registradas ao longo de muitos anos.

Pintura rupestre do Rio Grande do Norte

Como afirma Anne-Marie Pessis, que “Durante o período inicial do estilo Serra da Capivara, a região era pouco habitada. Sabemos que outros grupos, minoritários, partilharam o mesmo espaço junto às comunidades culturais de Serra da Capivara. Grupos que não tinham o domínio da técnica gráfica, mas que incorporaram às suas culturas esta prática rupestre das comunidades dominantes. Estas populações seriam responsáveis por outra tradição de pintura rupestre existente no Nordeste do Brasil, a tradição Agreste”. (PESSIS, 1989: 14/15).
As pinturas rupestres seriam o registro da história social dos habitantes daquele período. Onde lhes era possível afixarem seus costumes e práticas cotidianas. Costumes que permitiriam outros grupos ou futuras gerações de seus próprios grupos utilizam-se destas informações registradas.


Rondônia

Estas ações sociais que retratariam, então, a nosso ver, parte do cotidiano da época como caça, danças, rituais, lutas territoriais, animais que viviam naquele momento – um cotidiano muito parecido com o nosso atualmente, onde precisamos lutar para garantir o que nos pertence por direito – dos grafismos puros (que não temos condições de interpretar), cenas de sexo e cenas de brincadeiras, entre outras.

Todos os grupos humanos têm sua própria cultura e interagem. Isso significa que, além de se manifestarem culturalmente, ainda transmitem seus conhecimentos por meio da cultura produzida por estes grupos humanos das mais diferentes formas estéticas, e por meios educativos.

A partir destas cenas podemos, então, depreender que houve sim no território brasileiro, como em outros locais do mundo, história e educação muito antes de 1500.

Serra da Capivara - Piauí

O Brasil com sua imensa extensão territorial teria também uma grande complexidade de formas, estilos de pinturas e locais pintados, auxiliando a comprovar que as escolas rupestres teriam se disseminado.

As pinturas nos mostram, desde muito tempo, que devemos lutar e muito para que a nossa sobrevivência garanta-se. E que sem esta nada conseguimos. E, ainda, que por meio da educação social esta luta torna-se mais fácil de ser vencida.
O humano só se faz em sua plenitude por meio de lutas. E os primeiros habitantes do Brasil já sabiam disto – assim como também nos sabemo - para que possamos compreender melhor a nossa própria historia antiga e ver nela um reflexo para o nosso cotidiano.




Seridó - Rondônia

Façamos em nossas vidas muitas lutas políticas, sociais, culturais e para a sobrevivência, como já fazemos em nossas praticas cotidianas de educadores sociais que somos. Façamos, também, nossas festas, viagens e passeios, entre outras práticas sociais em nome de nossos prazeres como nos mostram os antigos habitantes de nosso Brasil que viveram muito bem, relacionando-se entre si, com o meio ambiente e com os outros grupos humanos que aqui viveram.

Fontes:
http://www.espacoacademico.com.br/041/41cjustamand.htm